Agressividade entre cães da casa – parte 1

Agressividade entre cães da casa – parte 1

Estresse canino 

A maior parte dos problemas de comportamento canino está relacionada ao estresse, e as brigas não são exceção.

Um cão que esteja estressado precisa apenas de um gatilho para que este estresse se transforme em agressão. Cada indivíduo tem um limite de estresse que é capaz de suportar “pacificamente”. Passado este limite, pequenos gatilhos – ou seja, pequenos fatores estressantes, aparentemente até insignificantes, podem despertar a agressividade. Chamamos isto de “limiar da agressão”. A partir daí, um “olhar errado”, uma aproximação inesperada ou não muito bem vinda, e todo tipo de interação pode virar motivo de briga. Parece familiar?

Mas que estresse poderia ser este? Se o seu cão tem amor, carinho, comida e saúde, será que ele tem algum motivo para estar estressado?

Fatores para o ESTRESSE CANINO

Sim, ele pode ter. E um dos motivos mais comuns é a falta de exercícios. Cães são nômades, e precisam se exercitar – faz parte da natureza deles. O ato de caminhar os ajuda a liberar o estresse e a energia acumulada, tornando-os mais felizes e equilibrados.

Um quintal grande não substitui a necessidade de passear com os cães; e o fato de um cão ser pequeno também não faz com que ele não precise ser exercitado.

Outro fator estressor é a possessividade; ou, melhor colocando, a necessidade de proteger os seus “recursos”. Por recursos, aqui, vamos entender como, basicamente, qualquer coisa que o cão considere como “sua”, e que ajude a suprir as suas necessidades. Pode ser comida, água, um brinquedo, um espaço (a caminha, a passagem por uma porta ou corredor, o sofá, etc.), e até mesmo o afeto do tutor. Ou o próprio tutor. Isso explica porque a maioria das brigas entre cães acontece na presença do tutor. O cão pode sentir que precisa proteger o que lhe pertence, garantindo assim, a sua sobrevivência e bem estar. Ele não sabe, e não quer “dividir”.

Cão protegendo osso

Cães podem brigar para defender os seus “pertences”. A movimentação de pessoas, animais, e carros na rua podem também estressar um cão. Novamente, seus instintos protetores o levam a defender o seu território. Por isso, ele late e tenta afastar os potenciais “invasores”.

Outras experiências que o cão possa considerar como desagradáveis ou assustadoras são também consideradas fatores estressores. Pode ser uma visita ao veterinário, uma viagem de carro, um banho ou um corte de unhas, e até mesmo sons altos, tais como trovões ou fogos de artifício. O toque da campainha pode gerar ansiedade, já que “alguém” desconhecido está prestes a invadir o seu território. Ainda na linha de experiências desagradáveis ou assustadoras, as dores crônicas causadas por atrose, otites recorrentes, e outras doenças, são definitivamente fatores estressores.

Por fim, o próprio companheiro canino pode ser visto como um fator estressor. Tal como acontece com humanos, os animais também podem não ter afinidade. Ou, ainda, pode ser que um dos cães seja um filhote que incomoda muito o cão adulto ou idoso, que já se considerava o “dono do pedaço”, e acaba se irritando com o novo morador.

Os fatores estressores podem acontecer a qualquer momento, em qualquer lugar. Normalmente, o que faz com que um cão atinja o seu limiar da agressão é uma combinação de diversos destes fatores.

Os Gatilhos

Os gatilhos são acontecimentos pontuais, que acabam por desencadear as agressões. Geralmente, eles são bem claros para um observador atento. É o que acontece nos momentos que antecedem a briga. Por exemplo, um cachorro que esteja roendo um osso pode considerar que a aproximação de outro cão seja uma ameaça à sua “propriedade”. Então, ele irá, num primeiro momento, rosnar para avisar que o quer ali. Em condições “ideais”, o outro cão irá embora. Mas ele pode não ir, seja porque não prestou atenção, porque é surdo, ou até mesmo porque resolveu responder a agressão. E, aí, a briga começa.

O ataque as vezes pode parecer totalmente aleatório, mas, geralmente, não é. O gatilho pode ser, por exemplo, o fato de que o outro cão se aproximou de VOCÊ. Ou, pior: pode ser que você tenha interagido ou feito carinho nele. Ultrajante! O cachorro não quer dividir a mamãe ou o papai dele com outros cães.

O tutor pode ser um gatilho ainda em outras situações. Se não houver uma relação de liderança bem definida, os cães podem se sentir um pouco “perdidos” em relação à hierarquia da casa na presença do tutor. Eles não têm certeza de quem é o líder e nem do que devem fazer, por isso brigam numa tentativa de resolver o dilema.

Um cão com dores crônicas pode atacar outro animal que se aproxime ou esbarre nele não intencionalmente, pois isto lhe causa dor. Seria, basicamente, uma reação de defesa. No outro extremo, cães surdos ou cegos facilmente se tornam alvos de agressão, pois podem não identificar sinais de aviso de outros cães e ignorá-los.

O Papel e a Responsabilidade do Tutor

A maioria das brigas entre cães pode ser evitada se o tutor assumir o seu papel de líder. Estudiosos do comportamento animal constataram que, nos lares onde os cães brigam entre si, geralmente não há uma estrutura de liderança e uma rotina bem estabelecidas.

O primeiro passo para solucionar conflitos entre cães é, portanto, que o tutor realmente assuma as rédeas da situação. Ele pode fazer isso com treinamentos de obediência básica. Os cães vêm imediatamente quando chamados, mesmo se estiverem excitados? eles respondem prontamente a todos os comandos aprendidos? eles são capazes de caminhar ao lado do tutor durante todo um passeio, sem perderem o foco com outros cães ou outras distrações? Se você respondeu “não” a qualquer uma destas perguntas, então já tem por onde começar. Obediência básica.

Com os cães devidamente educados e treinados, outra recomendação é levá-los para caminhar diariamente. Preferencialmente, juntos e guiados pelo mesmo tutor. Logicamente, para isto ser possível, os animais já precisam estar devidamente treinados. Os passeios bem estruturados irão reduzir o estresse dos animais e fortalecer a liderança do tutor, ao mesmo tempo em que criam experiências positivas para os cães. Quanto mais experiências positivas eles tiverem juntos, melhores as chances de que as brigas parem.

Passear com os cães juntos fortalece o vínculo de liderança do tutor, e melhora o relacionamento entre os animais.

Dentro de casa, é recomendável que seja criada uma rotina muito bem estruturada, e relativamente rígida num primeiro momento. Os cães passam a desempenhar funções, e a precisar “merecer” cada um dos seus “recursos”. Por exemplo, quando um humano entra na casa, os cães podem precisar aguardar num determinado local da casa até que a pessoa os chame. Eles devem se sentar disciplinadamente para aguardar a refeição ou qualquer petisco – e as refeições devem ser servidas apenas em horários determinados. Na hora em que os humanos vão assistir TV, ou se alimentar, novamente deve haver uma postura esperada dos cães.

Este “regime militar” acima pode ser temporário, mas ele é importante para dar aos cães um foco, algo em que se concentrar, ao mesmo tempo em que fortalece a liderança dos tutores. Com a mente ocupada e uma “missão” a cumprir, a chance de brigas diminui muito. Se assim desejarem, depois que o problema já estiver resolvido, os tutores podem relaxar um pouco as regras e manter apenas as mais essenciais – como a “etiqueta” na hora das refeições, e o bom comportamento nos passeios. Mas alguma estrutura será sempre necessária.

 

Confira mais sobre agressividade canina entre cães de uma mesma casa na parte 2.

 

3 coisas que irritam seu cão e você faz sem saber

3 coisas que irritam seu cão e você faz sem saber

Nem sempre o que fazemos agrada nosso melhor amigo…É muito importante entender como nossos “cãomigos” pensam, quais a suas necessidades, ou o que os irritam. Quando existem comportamentos errados então…. não entender seu pet pode ser um grande problema. Vamos conversar sobre 3 coisas que podem irritar seu cão, e você muito provavelmente o faz:

1- Gritos e ruído 

Seu cão ouve 5 vezes mais que você, além de possuir uma enorme percepção do ambiente, e vibrações. Por isso, o som alto, estridente, como de um motor de moto, ou o barulho do seu aspirador de pó, o irrita.
Importante: não precisa gritar com seu cão ok. Caso você tenha dificuldade de lidar com seu pet, um problema que pode ser é a falta de postura de líder perante seu pet. Clique aqui e saiba como resolver com pequenas mudanças no seu dia a dia. 

Caso seu pet seja obediente, mas você tenha dificuldade de ensinar comandos para ele, clique aqui e aprenda passo a passo, com ilustrações para ajudar no processo de aprendizado!

2 –  Não usar linguagem corporal

Seu cão não fala seu idioma, apenas assimila o som que alguma palavras curtas a certas ações ou objetos, conforme é adestrado pela repetição de resultado positivo ou negativo.

O mais interessante para o aprendizado do seu pet, é usar muito a linguagem corporal, para que seu “amicão” não fique nervoso ou chateado, por não entender o que você está falando. Claro que seu cão pode sentir as emoções básicas que você passa, mas faz isso com base na linguagem corporal, tom de voz e energia que você transmite sua mensagem. E ele reage a isso.

3 – Brigar sem mostrar o porquê para seu cão

Caso você esteja estressado com algo do seu dia a dia, o melhor é não interagir com seu cão, para não transmitir a energia negativa, e até mesmo brigar com ele por coisas pequenas. Ele vai receber essa carga e vai ficar ansioso sem entender o por que daquilo.

Lembre-se: a efetividade da bronca é no momento em que seu animal esteja cometendo o erro. Somente assim ele consegue entender que a briga foi por algo que ele acabou de fazer. Nada de brigar com ele depois que você chega em casa e ele fez o coco fora do lugar. A regrinha de ouro é: para brigar, tem que pegar no flagra.

Gostou dessas dicas? Semana que vem falaremos de outras coisas que você pode estar fazendo, que possivelmente esteja sendo o gatilho de algum mal comportamento. Fique atento 🙂